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Madre Cristina  

Laura Fraga de Almeida Sampaio

Quem foi essa mulher, a Madre Cristina? Célia Dória – CD, como era carinhosamente chamada pela família – nasceu em Jaboticabal, interior do Estado de São Paulo, no dia 07 de outubro de 1916. Cresceu, como nos contava, entre as discussões políticas animadas pelo pai advogado e o aprendizado de respeito e disponibilidade para com o próximo.

Fez o curso Normal em sua cidade natal e veio para a Capital onde licenciou-se em Filosofia e Pedagogia na Faculdade Sedes Sapientiae, mantida pela Congregação das Cônegas de Sto.Agostinho. Aluna brilhante e aplicada, encontrou na Madre Diretora da Faculdade uma amiga e orientadora que logo a integrou no quadro de professores e acolheu seu desejo de ingressar na Congregação de religiosas dedicadas a ação educativa que mantinha no Brasil, desde 1907, colégios e escolas gratuitas, além da Faculdade, fundada em 1933. Célia Dória tomou o Hábito religioso, ocasião em que recebeu o nome de Irmã Cristina Maria, e iniciou o Noviciado em 1942, no primeiro Colégio aberto pela Congregação em nosso pais, situado em São Paulo.

Entre as Irmãs destacou-se sempre por sua inteligência e preparo profissional, bem como pela fidelidade na prática da vida de oração e dedicação ao trabalho apostólico, no seguimento de Jesus Cristo e seu Evangelho, na vida consagrada a Deus a serviço do povo.

Ao lecionar no curso de Pedagogia da Faculdade Sedes Sapientiae foi especialmente apreciada e querida pelos alunos por sua competência, as aulas muito vivas e especialmente por seu espírito aberto, avesso a qualquer preconceito. Especializou-se cada vez mais na área de psicologia. Graças a seus esforços, juntamente com outros colegas, foi criado no Brasil, pelo Ministério da Educação, nos anos 60, o curso de Psicologia e reconhecida a profissão de psicólogo.

Em 1940, Madre Cristina iniciou a Clínica Psicológica, ligada à Faculdade, onde se dava a formação prática dos alunos acompanhada pelo corpo de professores. Nessa Clínica, a Madre atendia pessoalmente numerosos pacientes carentes.

Em 1954 prestou concurso para catedrática na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, recebendo concomitantemente o título de Doutora em Psicologia. Nos anos seguintes publicou vários artigos e as seguintes obras: Psicopatologia (1958), Psicologia científica geral (1960), Psicologia educacional (1961), Educando nossos filhos (1968) e Psicologia do ajustamento neurótico (1975).

A convite de Universidades e entidades estudantis proferiu palestras em vários Estados do Brasil. Com apoio da Congregação seguiu cursos no exterior e realizou estágios em hospitais psiquiátricos da Europa. Em suas aulas, conferências e publicações Madre Cristina passava sempre a mensagem, para ela primordial, destinada a despertar ouvintes e leitores para a responsabilidade ética, social e política, formando cidadãos e cidadãs conscientes e participativos, militantes, inicialmente na Ação Católica e mais tarde, durante a ditadura militar, nos diversos movimentos e organizações da esquerda brasileira.

Nos anos 70, quando a Congregação das Cônegas de Sto.Agostinho decidiu pela integração da Faculdade Sedes Sapientiae na PUC de São Paulo, Madre Cristina optou pela criação de um Instituto autônomo, mantido pela mesma Congregação, onde poderia prosseguir e ampliar, sem ingerência do MEC, o trabalho de formação de profissionais e militantes políticos engajados na luta contra a ditadura, contra a tortura e todas as formas de opressão e a favor dos direitos humanos, das liberdades democráticas e do respeito integral à dignidade da pessoa humana.

Assim, neste Instituto realizou-se, em 1978, o I Congresso pela Anistia. Aqui, a pedido do Cardeal D.Paulo Evaristo Arns, foi feita a maior parte das pesquisas sobre os processos políticos que transitaram pela justiça militar entre 1964 e 1979. Essas pesquisas foram reunidas, como se sabe, na obra "Brasil, nunca mais", publicada em 1985 e seguida em 1987 pelo volume "Perfil dos atingidos". O Sedes abrigou ainda por muitos anos, diversos movimentos, como o MST, a Pastoral da Terra, União das Nações Indígenas, Comissão pró-Índio, de SP.

Assim nasceu e cresceu este Instituto Sedes Sapientiae que, com seus cursos nas áreas de psicologia, filosofia e educação, sua Clínica psicológica, seus Centros e Departamentos, foi desde o início e continua a ser hoje um espaço aberto para todos aqueles que se dispuserem a assumir o compromisso de participar pelo estudo, a reflexão e a ação, na construção de uma sociedade justa e solidária. Uma sociedade conforme à vontade de Deus, como dizia Madre Cristina. E ontem aprendemos com Dom Thomaz Balduino que para realizar o projeto de Deus, revelado na Bíblia, essa sociedade só poderá e deverá ser SOCIALISTA.

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